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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Que fazer – Teoria e Prática em Educação Popular


Reflexões a partir de:

FREIRE, Paulo; NOGUEIRA, Adriano. Que fazer – Teoria e Prática em Educação Popular. Petrópolis: Vozes, 1991. 3. ed. - (RESENHA)

Nesse pequeno livrinho narrado/escrito por Paulo Freire e Adriane Nogueira encontramos alguns conceitos chaves para a educação popular.
O primeiro deles é o poder. É preciso antes de qualquer coisa entender que o poder burguês que transpassa nossa sociedade não contribui para a educação popular, por isso temos que transformar esse poder, tornar o poder não mais monista e sim pluralista, assim como os movimentos sociais, ao qual dão origem a educação popular.
A educação popular é baseada principalmente no conhecimento de mundo que o sujeito possui para o aprendizado. Ou melhor, explicando, a educação popular se baseia no conhecimento de mundo, ou seja, como o sujeito compreende seu mundo, e a partir disso, o que é preciso para transformá-lo.
Os professores da educação popular tem que se dar conta de que as classes populares também tem seu conhecimento, suas vivências, ou seja, tem de onde partir. Não deve um professor de educação popular levar um “pacote” pronto de conhecimento e maneiras de fazer para as classes populares. Isso faria com que o conhecimento fosse desinteressante, pois não toca no estudante da classe popular, não o afeta, posto que não parte de sua realidade.
O conhecimento das classes populares é diferente do intelectual, pois se dá através da oralidade. No entanto, devemos ter claro em nossas mentes “[...]que os grupos populares são perfeitamente capazes de aprender a significação do discurso teórico.” FREIRE; NOGUEIRA, 1991, p. 37
O sonho também é um dos conceitos necessários para a educação popular. É necessário ter um sonho, uma utopia, baseada na realidade dos grupos populares, para que dela nasça a ação transformadora dessa realidade.
Outro conceito que o professor deve ter em mente é o fato de que alunos de diferentes grupos sociais possuem diferentes compreensões do mundo, portanto possuem aprendizado diferentes. “Não dá mais pra dizer, simplesmente: todos são iguais porque a escola é igual pra todos." FREIRE; NOGUEIRA, 1991, p. 47
Por último os autores tocam no ponto que diz que a escola e a transformação estão completamente ligadas, pois a escola da educação popular deve formar cidadãos que sejam capazes de olhar para o seu mundo e transformá-lo para que se torne melhor.


Graziele Soares de Barros

TOCO e TECSOL

No mês de abril de 2012 nós tocomanos fomos convidados a integrar o grupo do TECSOL - Núcleo Interdisciplinar de Tecnologias Sociais e Economia Solidária. Este núcleo é formado por estudantes e professores de diversas áreas de conhecimento. O grupo TECSOL trabalho no programa de incubação de cooperativas de economia solidária. Dentro desse programa existem três projetos: Bem da Terra, que visa um espaço de comércio às cooperativas da incubadora; Projeto Reciclar, que abarca as cooperativas de reciclagem; e o Encontro dos Saberes que promove oficinas para a comunidade relacionadas à prática da economia solidária.
Durante o mês de abril e maio os estudantes bolsistas e voluntários (onde nós nos encaixamos) participaram de oficinas de formação relacionada à temática principal: economia solidária.
Participamos da oficina sobre autogestão. Nesse dia discutimos muito sobre como a autogestão se dá na maioria dos casos e o quanto é difícil para todos conseguirmos nos adequar a esse modelo que envolve autonomia e responsabilidade.
A última oficina a qual participamos era sobre legislação cooperativa. Nessa oficina montamos ficticiamente uma cooperativa de artistas, para entendermos melhor qual parte da legislação brasileira se encaixa com os empreendimentos de economia solidária. Em geral o Direito não está pronto para atender todas as demandas de um empreendimento de economia solidária, no entanto para que este empreendimento possa competir com um empreendimento de economia de mercado é preciso que ele seja juridicamente comprovado.
Nesta etapa do trabalho estamos elaborando nossa proposta de atuação do teatro junto ao TECSOL.


Graziele Soares de Barros

domingo, 13 de maio de 2012

ATUALIDADE DE PAULO FREIRE: Continuando e reinventando um legado


RESENHA: GADOTTI, Moacir. ATUALIDADE DE PAULO FREIRE
Continuando e reinventando um legado. Milano, 2002.

Moacir Gadotti nos apresenta um texto muito objetivo no qual começa expondo a situação do conhecimento acerca da teoria freiriana fora do Brasil. Ele coloca que a UNESCO, próximo aos anos 2000, criou um documento convocando para um congresso internacional e nesse documento mostrava-se o desconhecimento por parte destes das teorias posteriores às décadas de 70 escritas por Paulo Freire. Os textos do autor começaram a ser publicados em português depois de seu retorno do exilio em 1979.
A partir deste quadro Gadotti situa o leitor na teoria freiriana, apontando em primeiro lugar um dos pilares não citados no relatório da UNESCO, o qual seria o “aprender para quê”. Os outros quatro são: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.
O que é o ato de conhecer? Vivemos em uma sociedade do conhecimento? O que se tem percebido é muito mais informação circulando em todos os meios de comunicação, enquanto os meios de acesso ao conhecimento continuam precários. Dessa forma podemos nos situar em que contexto vivemos para pensarmos sobre o ato de aprender.
Como acontece a construção do conhecimento? Resumindo as teses de Paulo Freire a respeito podemos dizer que conhecer é construir categorias de pensamento a partir de algo que se deseja conhecer, algo que seja selecionado dentre um mundo de informações que muitas vezes não passam de lixo. Conhecer é uma condição do ser humano. Todos podem aprender e ensinar.
             Paulo Freire também vai afirmar que se aprende através das próprias experiências a vida toda e é preciso de tempo para aprender. Aprende-se o que tem importância para si, sendo que acumular conhecimentos não é aprender. E a frase que da o maior exemplo da dialogia freiriana é: “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.”.
 Gadotti nos faz pensar também a respeito da educação utilitarista que se vem instalando cada vez mais nas instituições de ensino. Contrapõe a noção de saberes à de competências. Essa última remete a ideia de um sujeito tornando-se ferramenta produtiva para o sistema capitalista, formam-se indivíduos com competências para atuar em diversos setores da sociedade, mas cada vez menos são formados seres humanos. É necessário que o ser humano não seja um simples individuo de competências, mas sim um sujeito do conhecimento que saiba pensar e saiba o porquê aprende e o que aprende.
Em uma formação pode-se adquirir muitos saberes e certos conhecimentos, no entanto se esta pessoa não tiver em sua prática a competência necessária para um professor, este saber torna-se inválido. Segundo o autor é atuando que “aprendemos técnicas e métodos sobre ‘como fazer’.”, essa afirmação pode-se encontrar também na poética do Teatro do Oprimido de Augusto Boal, pois, segundo este, um fórum não se faz de palavras e sim de ações que possam ser transformadoras.
Para ensinar, antes de tudo, é necessário que os educadores saibam como se aprende. O professor precisa pensar na consequência de suas atividades futuramente, e entender que não trabalha sozinho, que a escola deve ser um coletivo. A questão do coletivo é de grande relevância para a atualidade escolar brasileira, posto que no sistema disciplinarizado em que se encontra, muitos dos profissionais das instituições de ensino não se comunicam e não se enxergam enquanto coletividade.
. E da mesma forma que é necessário saber o porque saber aprender é também importante saber ensinar: ““saber porque” está ensinando e o que está ensinando”(GADOTTI, p:4). Saber ensinar implica paradigmas para o novo professor, os quais Gadotti explica em seu artigo. O novo professor é um profissional do sentido, pois ele dá/constrói sentido para o conhecimento, é profissional que aprende em rede, pois participa colaborativamente do processo de aprendizagem, o professor deve religar a escola e o prazer, deve ter ética, e para ser ético deve ter um sonho, ou seja, uma perspectiva, pensar numa educação com olhos no futuro e deve ser por fim um promotor da vida, da paz e da sustentabilidade. A educação deve confundir-se com o processo de humanização.

Mauricio Mezzomo Dias e Graziele Soares de Barros


domingo, 18 de dezembro de 2011

I Encontro de Extensão e Pesquisa do Núcleo de Artes Cênicas


TOCO no "V Diálogos com Paulo Freire" - Relato

TOCO - TEATRO DO OPRIMIDO NA COMUNIDADE

V DIÁLOGOS COM PAULO FREIRE

Lucia Berndt¹

Em 18 de novembro de 2011 começa o V Diálogos com Paulo Freire no IF-Sul – Instituto Federal Sul-rio-grandense em Pelotas – RS. A professora e coordenadora do Grupo TOCO, Fabiane Tejada, apresentou o trabalho “Projeto Teatro do Oprimido na Comunidade: Reflexões sobre o Diálogo do Espect – Ator”.

Às 19h a Toco’mana Lucia Berndt apresentou a cena “Mão Livre”, esquete baseada na adaptação da obra de autoria de Augusto Boal e de G. Guarnieri, com música de Edu Lobo, no auditório do Enilda Feistauer, nesta mesma instituição. O trabalho tem 15 minutos de duração, foi adaptado por Lucia Berndt, a partir da peça musical “Arena Conta Zumbi”, representada pelo Teatro de Arena (1956 a 1970), de São Paulo, em 1965. O esquete fala da marcha pela liberdade que norteou a vida de Zumbi dos Palmares. O tema representa ainda uma atualidade, que se encontra na constatação da realidade em que vivemos, onde pessoas ainda são submetidas a cativeiros e trabalho escravo.

Nos diálogos apresentados durante o evento se falou da importância de se ter coerência, na busca consciente, no que falamos, nos projetos, na nossa teoria com a nossa prática. Se estamos fazendo e como estamos fazendo algo. Muitas vezes o que parece ser uma obviedade, não é tão óbvio assim e acabamos não nos dando conta de que temos que aplicar o que foi pensado, de forma justa e honesta com a gente, não se esquecendo da importância desta transposição, do que fazemos com o que pensamos e se conseguimos com que aconteça. Isso por si só já faz uma grande diferença.

E falando em fazer, também se colocou a importância de se fazer o caos, fazermos mudanças diariamente, remexermos no que está parado, estagnado, apodrecendo para desestabilizar situações de comodismo.

E saindo deste comodismo é que serão feitas as inovações pedagógicas, rompendo com a educação tradicional, apostando nas possibilidades dentro das escolas públicas com novas experiências, resgatando o inédito viável, mesmo sabendo que existem limitações, mas sabendo quais são elas, pode-se se trabalhar e ultrapassá-las, por isso a importância do diálogo e qual o diálogo se quer estabelecer.

Perguntaram para Paulo Freire como ele conseguiu fazer uma determinada tarefa e ele respondeu que “Porque não tinha ninguém ali para dizer para ele que não conseguiria!”

Na manhã de sábado, o evento oferece oficinas e o grupo TOCO ministrou uma oficina de teatro com o objetivo de proporcionar a expressão e o diálogo dos participantes entre as “marchas”, as lutas e os trabalhos que estão sendo realizados pelo grupo com o pensamento de Paulo Freire.

Participaram da oficina de Teatro do Oprimido dez pessoas, entre elas estudantes, mestrandos e profissionais das áreas de pedagogia, advocacia, letras, economia e educação ambiental.

Foram feitos exercícios de alongamento e aquecimento para logo, começarem com o teatro fórum. Divididos em dois grupos, cada grupo escolheu trabalhar com cenas de opressão de professores com seus alunos.

Depois da oficina os grupos e ministrantes das oficinas foram se dirigindo para o auditório para uma circulo de cultura e para todos apresentarem uma síntese provisória sobre as atividades feitas naquela manhã.

Já no auditório, representante do Centro de Professores do Estado do RS – CEPERS, passou informações sobre Assembléia Geral que aconteceu no dia 18 de novembro no Gigantinho em Porto Alegre e que deflagrou greve por tempo indeterminado da educação no RS. A categoria exigia a implementação do piso salarial para professores e funcionários de escola e também cobra a retirada dos projetos de reforma do ensino médio e de alterações nos critérios de avaliação dos professores. Também estava Giselda Grzeca Diesel, representante da CUT Regional ao qual falou sobre “A Marcha das Margaridas” e sobre a conquista e adesão das 100 mil mulheres que participaram da marcha em 2011, que é uma ação estratégica das mulheres do campo e da floresta para conquistar visibilidade, reconhecimento social e político e cidadania plena, avançando na construção de igualdade para as mulheres.

Unir marchas requer uma mudança que não é simples, pois exige um dinamismo para não se perder o objetivo.

Logo, foram apresentadas as sínteses das oficinas, o grupo TOCO apresentou através dos participantes a cena que mostra a opressão de uma professora severa e que não faz questão nenhuma de ouvir, uma pessoa rigorosa na sua forma de lecionar e de se posicionar em relação a sua classe e as mudanças naturais que acontecem com as crianças e jovens atuais. Na cena também entra o diretor que oprimi em relação aos modos e trajes dos alunos da escola, colocando condições e obrigações todo tempo. Na entrada de alguns participantes da platéia nas cenas e que se fazem passar pelos alunos que eram oprimidos todo tempo pela professora, já se consegue com muito custo e discurso que a opressora comece a esboçar uma vontade de ouvi-los e aprender e mudar em relação a algumas posições dos alunos, como por exemplo, implantar, com o auxílio da internet, novas formas de dar aulas.

Através da síntese da oficina de música, cantando a música de Geraldo Vandré, “Pra não dizer que não falei das flores”, todos que estavam presentes no auditório deram as mãos, caminhando e cantando em roda, desejando para nossos, amigos, colegas, irmãos que estavam ao nosso lado, palavras de amizade, respeito e luta. Foi um acontecimento muito emocionante.

O evento proporcionou ainda uma palestra com o professor Balduíno Andreola, da UFRGS/Unilasalle e a professora Ana Lucia Freitas da PUC/RS.

Falam que Paulo Freire é utópico, mas para quem está em um evento como este, neste contexto apresentado, é normal sonhar e ser utópico, porque quem está ali tem clareza desta utopia, é consciente e luta para a realização do máximo possível do realizável. Somos andarilhos, pois as andarilhagens são o acumulo de experiências, é a base para o amadurecimento para seguir com as marchas.

O Grupo TOCO não é o mesmo desde quando iniciou, estamos mais maduros, mais dispostos, mas nossa luta ainda é a mesma e é utópica e por essa utopia, que faz parte do nosso grupo, é que não deixamos de fazer, e está aí a nossa inquietação.

O grupo vê em qualquer luta uma pedagogia e em qualquer método de ensino uma luta, por isso, todas as lutas são pedagogias das marchas.

¹ Acadêmica do Curso de Teatro Licenciatura da UFPel e atuante do Grupo Teatro do Oprimido na Comunidade - TOCO

V Diálogos com Paulo Freire

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

TOCO no Teatro de Arena POA

Cecilia Boal e Silvia - Teatro de Arena POA

Augusto Boal – 80 anos Nossa Homenagem

 

Uma parceria do Programa de Pós-Graduação em artes Cênicas e do Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da UFRGS com o Instituto augusto Boal e Teatro de Arena de Porto Alegre.

Na visita da professora/doutora Silvia Balestreri a Pelotas para uma palestra dia 28 de setembro, que faz parte do Ciclo de Palestras do PIBID, o grupo recebeu convite para participar desta merecedora homenagem a Augusto Boal que acontecerá no Teatro de Arena de Porto Alegre, localizado na Borges de Medeiros. O Teatro foi fundado em 1967 e tem Arena de três lados, com capacidade para 110 espectadores, um lugar muito aconchegante para esta atividade informal e singular.

Dia 16 de outubro então, o Grupo TOCO estava lá. Depois de uma viagem, digamos um tanto quanto barulhenta e com atrasos, chegamos a Porto Alegre, mais precisamente, diretamente no Teatro de Arena, nem um minuto a mais nem a menos para podermos assistir a palestra com Cecília Boal, primeira atividade do evento.

Cecília pede que os presentes falem de suas experiências para iniciar um debate e uma das questões já levantadas é que para trabalhar com o Teatro do Oprimido tem que haver alternativas de debate, se não existe, nem se propõe. Fabiane Tejada, orientadora e componente do grupo TOCO, fala da dificuldade que existe de colaboração dos representantes de comunidades, Cecília diz que temos que estar onde querem que estejamos, que não adianta ficar forçando, tem ajuda quem quer.

Cecília fala que tem que haver um deslocamento de poder, nós que estamos ali, o detemos de certa forma, somos pessoas que lêem, que falam, que se colocam e lidamos com pessoas que não tem esse “poder”, o que é natural para nós, para outros é a simplicidade e humildade. Enquanto não houver esse deslocamento não teremos resultados, baseado na pedagogia de Paulo Freire ela diz que todos temos a ensinar e a aprender, ninguém detém um poder total.

O Teatro do Oprimido não tem que ser um espetáculo, é uma militância, é um importante processo sem visar o produto final, ele é um instrumento metodológico e tem que começar a ser discutido nas academias.

Cecília se dirigiu para o Parque Farroupilha, para o Parque da Redenção, onde a Trupe de Atuadores “Ói Nóis Aqui Travéiz” ofereceu a apresentação do fantástico espetáculo de rua “O Amargo Santo da Purificação”.

Logo, às 19h, começou Boal-e-Nós, boais-em-nós: apresentações artísticas, depoimentos e comentários afetivos sobre o legado de Augusto Boal. Uma homenagem marcante e emocionante de artistas e amigos de Boal, onde nossa colega Toco´Mana Lucia apresentou sua esquete “Mão Livre”, baseada na peça musical de 1960 “Arena Conta Zumbi”.

Para o grupo foi um dia especial, de muitos conhecimentos e com muitas trocas, tanto de experiências acadêmicas como pessoais.

Lucia Berndt

Acadêmica do Curso de Teatro Licenciatura da UFPel.

Ciclo de Palestras PIBID debatendo teatro e educação

Lucia Berndt

Quarta-feira 28 de setembro de 2011

Nesta data tivemos no Auditório do CEARTE a segunda palestra intitulada: “Teatro do Oprimido: considerações sobre um Boal “teatro-pedagogo”, que faz parte da programação do ciclo. A Professora/doutora Silvia Balestreri Nunes que palestrou é atualmente coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRGS, possui graduação nos cursos Bacharelado em Psicologia e Formação de Psicólogo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Silvia trabalha com o teatro do oprimido em disciplina, pesquisa e estágio. Participou do Plano Piloto da Fábrica de Teatro Popular e da primeira formação do CTO-Rio.

Silvia introduziu sua fala esboçando algumas atividades da sua trajetória com o Teatro do Oprimido e características desta trajetória que vem desde 1985 como atriz e curinga no CTO-Rio.

Logo ela sugeriu que nos separássemos em grupos, e que alguns com alguma experiência em TO ficassem com outros que não tinham e se formasse grupos com intuito de levantar dúvidas baseadas em duas perguntas: 1. O que sabem do TO e dos termos Curinga? 2. O que gostaríamos de conversar naquele momento?

Os grupos foram divididos e logo formaram novos grupos, e assim sucessivamente iríamos passando o que escutávamos no grupo anterior, ou seja, montamos grupos de fofocas (como ela mesma intitulou) para disseminar ali informações e dúvidas sobre esta prática do Teatro do Oprimido.

Surgiram muitas informações e também dúvidas, passadas de grupo a grupo onde reunimos todas no final para debatermos, as principais foram:

- Se é visto algum tipo de transformação para quem já trabalha com o TO?

- A diferença do Teatro Invisível para um teatro de pesquisa sem base, ou seja, quando existe e como distinguimos a ética nesta modalidade?

- Quais as diferenças entre a teoria e a prática no Teatro Fórum?

Baseados então nestas questões, o grupo começou a debater coletivamente trocando experiências com informações.

Silvia informa que existem três ou quatro questões para se ter um bom Fórum e que elas cabem praticamente ao curinga, pois é ele quem tem que conduzir com qualidade e muita sensibilidade o trabalho, ele tratará e desenvolverá o tema e os problemas de opressão apresentados por cada um. Segunda questão é o que se quer? Logo ele pergunta: o que atrapalha vocês de conseguirem e quais são as saídas que serão colocadas para o tema levantado. É importante que o curinga entenda essas saídas, mas também questione aonde se quer chegar. A função é deixar de ser necessário, orientar para o caminho da autonomia.

Este artigo pode ser visto na íntegra em: http://tocoufpel.blogspot.com/2011/10/3-ou-4-perguntas-para-um-bom-forum.html

Também se falou da dificuldade e algumas práticas em trabalhar com o TO envolvendo crianças que já sofreram maus tratos e/ou violência sexual. Silvia indicou o autor Hélio Júnior da Rocha de Lima com o livro Pedagogia de um Teatro Popular, disponível emhttp://www.cedecacasarenascer.org/Publicacoes/Livros/pedagogiadoteatropopular.pdf.

Para encerrar Silvia faz um convite para o evento que acontecerá no dia 16 de outubro, no Teatro de Arena de Porto Alegre, uma homenagem aos 80 anos de Augusto Boal. A primeira atividade do evento começa na parte da tarde e será um encontro de curingas, praticantes do Teatro do Oprimido e demais interessados. Depois a Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz dedicará a Augusto Boal a apresentação do espetáculo de rua O Amargo Santo da Purificação no Parque Farroupilha, voltando para o teatro de Arena terá Boal-e-Nós, boais-em-nós: apresentações artísticas, depoimentos e comentários afetivos sobre o legado de Augusto Boal.

Nesta última atividade terá a apresentação da colega Pibidiana Lucia Berndt homenageando A. Boal com uma cena curta e adaptada da peça “Arena Conta Zumbi” chamada “Mão Livre”.

Teatro Licenciatura 2008

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Augusto Boal 80 Anos - Nossa Homenagem

 

Uma parceria do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas e do Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da UFRGS com o Instituto Augusto Boal e o Teatro de Arena de Porto Alegre.

Augusto Boal, um dos responsáveis pela renovação do teatro brasileiro nos anos 50 e 60 do século XX, como diretor do Teatro de Arena de São Paulo, teatrólogo e diretor brasileiro de maior influência no exterior, falecido em 02 de maio de 2009, completaria 80 anos de idade em março último. O Instituto Augusto Boal, lançado recentemente por sua família, demonstrou interesse em fazer em Porto Alegre um evento em comemoração a este aniversário, como já foi realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo e está sendo preparado também na cidade de Buenos Aires. Porto Alegre, dentre as cidades escolhidas, é a única onde Boal não morou, mas onde participou de atividades de formação e inspirou artistas e grupos com suas ideias e métodos, vinculando arte e política, concebendo teatro e vida como inseparáveis.

Cecilia Boal, sua esposa, virá a Porto Alegre especialmente para o evento, oportunidade ímpar de encontro, evocação e trocas, a partir das ressonâncias de Boal-em-nós.

Atividades do dia 16 de outubro:

14h – encontro de curingas, praticantes do Teatro do Oprimido e demais interessados com Cecilia Boal. Presenças confirmadas: TOCO – Teatro do Oprimido na Comunidade –, professores e alunos da Universidade Federal de Pelotas; NETO - Núcleo de Estudos do Teatro do Oprimido -, de Porto Alegre; Núbia Quintana, de Canoas; Araxane Raimundo e a Déia Alencar, de Guaíba; estudantes de teatro e a prof. Silvia Balestreri, da UFRGS; professores de teatro da rede pública de ensino de Porto Alegre; Érika Oliveira, pós-graduanda na UNESP e curinga, de Assis, SP, dentre outros.

16h – A Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz dedicará a Augusto Boal a apresentação do espetáculo de rua O Amargo Santo da Purificação. Local: Parque Farroupilha (se chover, não haverá espetáculo)

19h às 21h – Boal-e-Nós, boais-em-nós: apresentações artísticas, depoimentos e comentários afetivos sobre o legado de Augusto Boal. Participações: Cecilia Boal, pelo Instituto Augusto Boal; Jairo de Andrade, fundador do Teatro de Arena de Porto Alegre; Paulo Flores, pela Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz; Vai! Cia. De Teatro; grupo Tamanco no Samba; Silvia Balestreri, pelo PPGAC/ UFRGS; Lucia Berndt, do Grupo de Teatro da UFPel; a cantora Raíssa Panatieri e o violonista Leonardo Aprato.

Sobre Cecilia Thumin Boal

Cecilia conheceu Augusto Boal nos anos 60, quando era atriz na Argentina. Veio com ele para São Paulo, participou de espetáculos do Teatro de Arena - o da capital paulista -, como a Feira Paulista de Opinião, acompanhou e contribuiu na elaboração das técnicas de teatro do oprimido. O primeiro grande projeto que Boal concebeu na sua volta do exílio nos anos 80, a Fábrica de Teatro Popular, vinculada aos CIEPs no Rio de Janeiro, teve Cecilia como assessora e co-ministrante. Tem grande experiência como curinga, como são chamados os multiplicadores do teatro do oprimido. Formada em Psicologia na França, hoje é uma psicanalista conceituada no Rio de Janeiro. No final dos anos 90, experimentou novamente o prazer dos palcos, participando como atriz da Sambópera Carmen, criada por Boal com o maestro Marcos Leite. Hoje promove, junto aos filhos Fabian e Julián Boal, as atividades do Instituto que leva o nome do marido (http://institutoaugustoboal.wordpress.com/), cujos objetivos são “preservar e fomentar o legado de Augusto Boal”.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

3 OU 4 PERGUNTAS PARA UM BOM FÓRUM

Silvia Balestreri Nunes 
Professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde trabalha com o
teatro do oprimido em disciplina, pesquisa e estágio. Participou do Plano Piloto da Fábrica de Teatro
Popular e da primeira formação do CTO-Rio.



Uma das modalidades mais utilizadas do teatro do oprimido no mundo todo - o teatro-fórum – é veículo de ativação e mobilização não apenas na hora de ser apresentado e de se convidar a platéia a intervir na cena - quando ela toma o lugar do(s) protagonista(s) para propor alternativas à situação mostrada, mas principalmente durante o processo de criação e montagem da peça. Os participantes-atores têm que se defrontar com uma série de questões para chegarem a construir o que chamamos um bom modelo para fórum - a peça propriamente dita. Cabe ao curinga sensibilidade para conduzir o grupo por tais questões: ainda que não sejam formuladas explicitamente, a resposta a elas terá efeitos sobre a qualidade do fórum, sobre a relação dos participantes entre si e sobre sua relação dali por diante com o tema e os problemas tratados.
Uma primeira pergunta com que cada um dos participantes da construção de um fórum tem que se defrontar, uma vez escolhido o tema, é: Qual a opressão de vocês em relação a esse tema? Quanto mais cheios de vida forem esses relatos, mais material se terá para criar os personagens e a cena. Um bom curinga já estará aí sendo atingido em sua sensibilidade, o que o ajudará bastante a conduzir o resto do processo: estará sensível às contradições, aos incômodos, à importância para cada um daquilo que está contando de si. Quando comecei a curingar, tinha muito receio de ser diretiva e acabava me omitindo de interferir em importantes momentos do processo. Só com o tempo descobri que, para dirigir e curingar, é preciso interferir, mas sempre de modo a não “atropelar” e a facilitar o movimento dos participantes, estando inclusive aberta a "dar ouvidos" às impressões que seus relatos e jogos de improviso suscitam em mim. Com essa primeira pergunta - "qual a opressão de cada um em relação ao tema?" - , inicia-se, de forma mais detida, um compartilhar de experiências, um movimento de coletivizar o que até então era vivido individualmente - início de uma verdadeira formação de grupo. "Grupo é ato"2, ou seja, só começa a acontecer quando, p. ex., um conjunto de pessoas se move na direção de um mesmo objetivo. Um importante passo para isso é as pessoas compartilharem e encontrarem o que é comum no que costumam viver como "problema pessoal". O fórum pode propiciar esse belo movimento, que é, a meu ver, dos mais
importantes presentes na construção do modelo e cuja apresentação e discussão com uma platéia é apenas uma espécie de clímax dessa coletivização dos problemas e da procura, em conjunto, de sua solução.
Uma outra pergunta, após a narrativa das queixas e opressões, necessária para que se esboce melhor quem será o protagonista e pelo que ele lutará em cena, é: O que vocês querem em relação a tudo o que foi colocado? O que querem em relação às opressões, problemas e insatisfações que apontaram? Esse é um momento riquíssimo, em que, muitas vezes, o curinga acaba promovendo uma verdadeira "quebra" nas posturas anteriores (dependendo, é claro, do grupo e do tema em questão). É como se estivesse dizendo: "Tudo bem, entendi tudo de que vocês se queixam, mas o que querem? Pelo que querem lutar? Como gostariam que fosse?" Não há aí nenhum convite à idealização de uma situação inalcançável, mas uma pergunta sincera sobre o modo como pretendem dizer "não" a uma realidade opressiva.
Em algumas situações, é difícil de responder, mas é fundamental para o grupo se defrontar até com a dificuldade de traçar rumos em determinados casos. Lembro-me de um fórum sobre relações amorosas nos dias de hoje, realizado por estudantes de psicologia. O primeiro momento, de compartilharem suas experiências sobre o tema foi relativamente fácil: falar da crise do casamento ou da atual mudança nas relações e no amor. "Sim, e o que vocês querem?", perguntei depois. "O que vocês querem quanto a essas questões?" A simples colocação da pergunta já põe o grupo numa posição diferente: a de sair da lamentação e da passividade para uma posição ativa - essencial para fazer um bom fórum e para uma postura positiva na vida. Os atores precisam saber o que estão querendo discutir com a peça e ter uma noção do que querem conseguir quanto ao "problema" analisado, para poderem definir o que o protagonista do fórum quer e pelo que ele luta – ou mesmo quantos “protagonistas” haverá na cena.
Uma vez esclarecido, na medida do possível, o que o grupo quer, ajudando a delinear um ou mais protagonistas para a cena, é hora de se perguntarem: O que atrapalha vocês de conseguirem o que querem?
Daí surgirá material para a construção dos antagonistas e de momentos importantes da peça. Às vezes, "o que atrapalha" é um tipo de organização social ou hierarquia, um modo de alguém falar, um tipo de relação em que se está enredado, ou mesmo uma culpa ou cobrança internalizados que impedem cada um de se mover. Neste caso, quando a própria pessoa é veículo de sua opressão, certamente está recorrendo a um tipo de censura e de repertório de culpabilização que está disponível no social: algo que é seu próprio pensamento e autocobrança (próximo ao que Boal chama os "tiras na cabeça") pode, por exemplo, ser colocado na boca e na ação de um dos personagens antagonistas. O mais importante será que o protagonista ou outro personagem oprimido e as platéias do fórum tenham que se defrontar com isso, perguntando-se o que fazer com tais mecanismos e experimentando alternativas.
Já terá sido bastante valioso um processo em que um conjunto de pessoas tem que "encarar" sinceramente cada uma das perguntas anteriores. E o fórum, como todo bom teatro, não funciona bem com "mentiras". Esse não é um processo exaustivo, os participantes devem falar de si apenas o suficiente para se fazerem ouvir, isto é, para que a cena seja o resultado de um trabalho verdadeiramente coletivo, para que tenha vitalidade nas coisas que afirma e que pergunta. Os participantes devem falar o suficiente para afetarem e serem afetados em sua sensibilidade, de modo a terem bom material para os jogos de improvisação e para a criação de personagens e diálogos.
Lembro-me de um fórum, também entre alunos de psicologia, em que estes queriam discorrer sobre drogas e homossexualidade. Só para citar a situação mais simples ocorrida, havia no grupo tanto pessoas que já tinham experimentado diferentes tipos das chamadas "drogas ilícitas", quanto pessoas que sequer se sentiam à vontade para falar sobre o assunto. A peça acabou girando sobre o preconceito, seja de que lado fosse, com lugar para diferentes tipos de personagens e posturas.
Apesar de já muito proveitoso o processo até aqui, uma pergunta fundamental para a criação da cena precisará ser respondida, pergunta que, como as demais, pode produzir interessantes ressonâncias na postura e na vida dos participantes: Quais as saídas para o que vocês estão colocando? Por onde é possível vislumbrar alguma transformação? O grupo precisa acreditar que há saídas, senão não haverá o que buscar junto às platéias.
Essa é uma garantia de que não se fará um fórum fatalista, o que não passaria de um "anti-fórum". Certa vez, dirigindo sindicalistas demitidos por sua militância, no interior de Minas Gerais, quase acreditei, num primeiro momento, que não haveria saídas para a opressão que viviam, tal era o teor de seus relatos. Mas o fato de estarmos ali reunidos para realizar um fórum era o melhor sinal de que queriam fazer algo com aquilo e que era um primeiro indicador de que poderia haver saídas. As respostas e mesmo as dificuldades de se responder a essa pergunta apontam os caminhos do fórum: saber qual situação deverá ser encenada para tratar da opressão em pauta é reconhecer por onde é possível começar uma efetiva transformação do que se está denunciando. Essas “saídas” serão insinuadas no modelo, ainda que o protagonista não seja bem sucedido ao buscálas.
Talvez essas sejam algumas razões para tanta popularidade do teatro-fórum. Para fazer uma boa peça, o grupo se confronta com questões que reviram qualquer possibilidade de postura cristalizada, desencadeia-se um processo que aponta o tempo todo para o coletivo e cuja coroação serão os debates teatrais - as sessões de teatro fórum - engendrados com as diferentes platéias. Vale lembrar que tais perguntas nem sempre precisam ser explicitamente colocadas pelo curinga, mas elas estão implícitas e os participantes são o tempo todo convidados a fazer sua travessia até chegarem à peça. É uma forma riquíssima de se trabalhar e mesmo de se formar um grupo; estão incluídos aí o humor, o fazer artístico e a busca de transformação social. Quem quer mais?

Publicado em METAXIS – A Revista do Teatro do Oprimido.
Ano I, nº I, dez 2001. p. 26 e 27.

Palestra da Professora Silvia Balestreri


Integrantes do TOCO participaram da palestra da professora Silvia Balestreri (IA-UFRGS) no dia 28 de outubro no Cilclo de Palestras promovido pelo PIBID-Teatro da UFPel. A professora abordou suas experiências com o Teatro do Oprimido, principalmente no período que teve a oportunidade de trabalhar ao lado de Augusto Boal no Rio de Janeiro. O encontro foi maravilhoso!

“Estaremos repassando um texto sobre Teatro Fórum e o convite da professora para no dia 16 de outubro de 2011 estarmos todos no Teatro de Arena de Porto Alegre homenageando Augusto Boal”.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Agenda

Nos Meses de Setembro, Outubro e Novembro estaremos desenvolvendo atividades (oficinas) semanalmente nos Bairros Dunas e Z-3.
Dunas: Ver horários no CDD ou entrar em contato que informamos os horários!
Z-3 sábados das 14h as 17h - Local: Salão Paroquial
Informamos que as oficinas são abertas a comunidade (homens/mulheres/jovens com idade superior a 12 anos)

sábado, 27 de agosto de 2011

Agenda

Estaremos com as Comunidades:

Dunas: dia 03 de Setembro - sábado - no CDD das 14 as 17hs
Z-3: dia 10 de Setembro - sábado -  Salão Paroquial das 14 as 17h

Agenda

O grupo participou de 24 a 26 de agosto do II Seminário Ensino da Arte com O trabalho: O diálogo do Espect-Ator: Experiências no Projeto Teatro do Oprimido na Comunidade. 

Na sala de comunicações/apresentações encontramos trabalhos que contribuiram para o enriquecimento e trocas de experiências com Arte-Educação, Teatro, Comunidades, Dança, Educação Ambiental e outros!

O DIÁLOGO DO ESPECT- ATOR: EXPERIÊNCIAS NO PROJETO TEATRO DO OPRIMIDO NA COMUNIDADE


Profª. Fabiane Tejada da Silveira
CEART- UFPel
Acad. Celio dos Santos Soares Jr.
CEART- UFPel
Acad. Lucia Elaine Carvalho Berndt
CEART- UFPel

O Projeto de Extensão Teatro do Oprimido na Comunidade- TOCO, desenvolve oficinas com as técnicas do Teatro do Oprimido de Augusto Boal desde fevereiro de 2010 nas comunidades da Colônia de Pescadores Z-3 e do bairro Dunas, ambas situadas na cidade de Pelotas- RS. A práxis pedagógica teatral referida constitui- se a partir dos pressupostos da Estética do Oprimido, projeto criado e desenvolvido pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, na década de 60 e 70 quando esteve no exílio, provocado pela ditadura militar no Brasil.
Nossos objetivos com o TOCO atualiza o pensamento de dois importantes teóricos da educação e da arte no Brasil, Paulo Freire e Augusto Boal. Com o olhar voltado para a práxis- pedagógica teatral focada no Teatro do Oprimido, que assume-se enquanto proposta educativa e artística que pressupõe a formação de um sujeito engajado na luta pela transformação de uma sociedade opressora e injusta, organizamos as oficinas nas comunidades referidas acima.
 O sujeito pensado por Paulo Freire mostra-se comprometido com a construção de suas subjetividades, sem negar que esta só acontecerá na/pela troca de experiências com o grupo e o outro e que se produz no movimento dialético da história em consonância com a responsabilidade de transformar a realidade opressora. Para Augusto Boal buscar na arte teatral um caminho para revelar nas subjetividades dos personagens assumidos as experiências opressoras que entram em crise, abre uma oportunidade de superação desta opressão, no momento em que as pessoas envolvidas nas cenas (espect - atores) são convocadas a dizerem sua palavra em ação. Este é o sentido da palavração pensada por Paulo Freire. Ou seja, a palavra é ação quando pronuncia o mundo para a transformação das injustiças.
Nas reflexões que fazemos sobre a ação do grupo nas comunidades percebemos que as pessoas gradativamente aumentam seu envolvimento e participação nas propostas apresentadas, quando o sentido é transformar as opressões instaladas no seu cotidiano. As mulheres, que são a maioria em nossos grupos de trabalho, reconhecem nas cenas teatrais possibilidades de transformação das opressões que envolvem seu cotidiano, assim elas passam a ter mais esperança nas ações que podem ser feitas por elas mesmas no dia-a-dia.
Em uma proposta que realizamos com o Teatro imagem (umas das técnicas do Teatro do Oprimido) as senhoras da comunidade fizeram duas imagens numa cena, como se fossem dois quadros em um: uma parte da cena mostrava o atendimento do SUS, com as pessoas numa eterna espera e com “expressão facial” de dor, com o médico apenas circulando no local sem olhar para os pacientes (cena de opressão) e no outro quadro (ao lado) o atendimento em uma clínica particular, médico com o doente já tratado e outros esperando com uma expressão de felicidade no rosto, sem dor. Na técnica de Teatro imagem, as pessoas apresentam uma cena de opressão “congelada” (sem movimentos) que acontece no bairro, logo após o grupo que observa a cena (espect- atores) entram na mesma cena procurando encontrar alternativas para superar tal opressão.
Destacamos que Fátima (uma das moradoras do bairro Dunas, espect- atriz da cena descrita acima) pensou em fazer um dia de mutirão na frente da Secretaria da saúde do município, convidando pessoas para fechar a rua e chamar a atenção para o problema da saúde em Pelotas. Foi uma maneira encontrada por ela de avançar em busca da superação da opressão destacada pelo grupo. Para Freire
A práxis é reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo. Sem ela, é impossível a superação da contradição opressor-oprimidos. Desta forma, esta superação exige a inserção crítica dos oprimidos na realidade opressora, com que, objetivando-a, simultaneamente atuam sobre ela (2000, p.38).
Em nossa práxis- pedagógica provocamos através do diálogo proposto nas cenas teatrais, o olhar das pessoas para as opressões que fazem parte do seu dia-a-dia, tornando-as conscientes das situações e mecanismos sociais que promovem tais opressões. Quando as opressões aparecem na cena teatral o desafio é encontrar possibilidades de sua superação, através de uma nova cena que será caminho de transformação. Com as técnicas de Teatro do Oprimido procuramos, nas comunidades que tivemos contato, incentivar a transformação dos sujeitos e da sua realidade através deste “diálogo cênico” . Como diz Boal no livro A Estética do Oprimido:

A Estética do Oprimido não inventou nenhuma panacéia para os males da cidadania, mas com ela é possível reverter o curso da acelerada desumanização dos oprimidos nesta época sombria. Como a humanidade sempre esteve dividida, os opressores determinam formas e conteúdos da arte, impõem visão do mundo a todo mundo. É normal que os oprimidos contra isso se rebelem. A estética do Oprimido busca criar seus próprios valores, sua verdade.  (p. 168, 2009).

Nesta reflexão sobre nossa atuação no Projeto TOCO, procuramos enfocar os dois importantes sujeitos da práxis teatral: o espectador e o personagem, que no teatro de Boal resgatam o espetáculo teatral como festa, “obra aberta”, onde qualquer pessoa pode participar, ora como sujeito que se vê através do olhar do outro que assume um personagem do cotidiano, e ora como ator/atriz que está em ação para refletir a opressão que sofre e/ou superá-la. Nesta perspectiva o teatro aposta na relação do “eu com outro”, em uma permanente proposta de reconstrução social através do diálogo.
Boal busca a redemocratização do teatro, sua função de acesso ao político e popular. Com objetivo de levar a arte ao encontro de cada vez mais pessoas, propondo que estas se apropriem daquela para construção de um mundo mais justo, observamos que a vida e a arte envolvem as pessoas das comunidades que participam do projeto, para torná-las sujeitos que experimentam- se no movimento de sua própria história.

Referências:
BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. 5ªed. Rio de Janeiro: civilização brasileira, 1988.

_____________ . O Arco –íris do desejo. Método Boal de Teatro e Terapia. 2ªed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.2002.

_____________. A Estética do Oprimido. Rio de janeiro: Garamond, 2009.

BRECHT, Bertolt. Breviário de Estética Teatral. Buenos Aires. Ediciones La Rosa Blindada, 1963.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 29ª. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2000.
_____________. Ação cultural para a liberdade. SP: Paz e Terra, 2002.

GARCIA, Silvana. Teatro de militância. SP: Perspectiva, 1999.

TEIXEIRA. Tânia Márcia Baraúna. Dimensões sócio-educativas do Teatro do Oprimido: Paulo Freire e Augusto Boal. Tese de Doutorado. Universidade Autônoma de Barcelona. 2007. <http://www.tdr.cesca.es/TDX-1117108-164651/index_cs.html.> Acesso em 23 de agosto de 2009.